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Indústria de fosfato: Audiência Pública esclarece os impactos sociais e ambientais para região
Postada em 17/04/2010
Os representantes das multinacionais Bunge e Yara, que comandam a instalação da Indústria de Fosfatos Catarinenses – IFC em Anitápolis, não vieram para a audiência pública explicar o lado positivo deste mega empreendimento, mas grupos ambientais organizados, representantes de ONGS, de instituições educacionais, da comunidade e a classe política contribuiram para a discussão do impacto negativo do projeto.
Laguna foi escolhida para sediar o terceiro encontro pois é aqui onde desemboca o rio Tubarão, que receberá da microbacia do rio Pinheiros – que pertence à bacia hidrográfica do rio Tubarão - todos os dejetos, metais e ácidos liberados pela exploração da mina de fosfato no Vale do Rio Pinheiros, zona rural de Anitápolis.
De acordo com a geóloga, Maria Paula Marinon, não existe nenhum lugar no mundo onde existe indústria de fosfato que não gere poluição do ar e da água.
Isso porque a rocha a ser explorada, para a retirada do fosfato, será associada ao ácido sulfúrico para formar o superfosfato simples – SSP, composto usado na produção de fertilizantes.
Por ser uma região acidentada, envolta por morros e nascentes de rios, o Vale é propício a receber grandes quantidades de chuvas. Isso, de acordo com o advogado da ONG Montanha Viva, Eduardo Moreira Lima, aumenta o risco de chuvas ácidas na região, que “de acordo com vento pode chegar a qualquer cidade, inclusive Laguna”, explica.
Por esse motivo, o prefeito Célio Antônio sinalizou-se contrário à implantação do empreendimento: “Já tivemos experiências ruins com chuva ácida vinda de Imbituba”, disse.
A forma geográfica peculiar também é perigosa para riscos de deslizamentos: “O solo de saibro é frágil e o estudo de impacto ambiental demonstra desconhecer esse tipo de solo na região”, revela a geóloga Maria Paula.
Dados apresentados por uma engenheira química na audiência pública realizada em Braço do Norte revelam que serão cerca de 500 toneladas de ácido sulfúrico jogados no ar todos os anos pela fosfateira, que tem o direito de exploração da mina por 33 anos.
Além disso, o risco de contaminação da água por ácido florídrico também é grande, segundo afirma o padre Aloízio: “Laguna já é a campeã estadual em casos de câncer no estômago e aparelho digestivo”, revela.
O embargo
Baseado em dados alarmantes, a ONG Montanha Viva conseguiu através de uma ação civil pública suspender, através de liminar, a licença ambiental prévia da fosfateira.
De acordo com o advogado da ONG, Eduardo Moreira Lima, as multinacionais já perderam cinco agravos de instrumento: “Neste dia 20 será julgado o mérito desta liminar, caso seja positivo pela manutenção desta ação, eles terão que recorrer para o Superior Tribunal de Justiça”, explica.
Eduardo diz que para um empreendimento ser viável economicamente também precisa ser social e ambientalmente propício para todos: “Os riscos sociais e de saúde pública são tão preocupantes quantos os ambientais”, alerta.
Corredor turístico
A região do Vale do Rio Pinheiros é conhecida pelo turismo agroecológico, abrigando cidades que vêm investindo nesse setor. Santa Rosa de Lima, cidade vizinha, já é conhecida como a capital da agroecologia.
Pesquisas apontam para a instabilidade deste tipo de atividade turística após a instalação da fosfateira, acabando com grande parte da biodiversidade natural.
Serão devastados 336 hectares de florestas pertencentes à Mata Atlântica, além da destruição de Áreas de Preservaçã Permanente – APP.
Fonte: Prefeitura Municipal de Laguna





