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Operação limpeza no Cine Mussi. Primeira etapa da revitalização pretende construir camarins e ampliar banheiros. Poltronas serão doadas.
Postada em 07/02/2012
Trabalho minuncioso é feito com o aspirador de pó
O início da restauração e reabilitação do Cine Teatro Mussi foi marcado com a apresentação do primeiro filme a ser exibido no espaço no ano de 1950, o público depois de 62 anos reviveu o filme A Valsa do Imperador que ganhou forma nas paredes da igreja Santo Antônio dos Anjos.
Antes da apresentação o público foi informado do andamento da obra, que começou semana passada e deve continuar por mais sete meses. A primeira etapa está orçada em R$ 1 milhão 200 mil. Nesta etapa um anexo será reformado e ampliado, com construção de camarins e banheiros. Também deverá ser erguida a infraestrutura para geradores e ar condicionado. Técnicos nesta semana estavam realizando a sondagem do solo para erguer o novo anexo, que fica no espaço interno entre as lojas da rua Osvaldo Cabral e o teatro.
De acordo com a arquiteta do Iphan de Laguna, Ana Paula Cittadin, esta ação é hoje entendida como prioritária, por vislumbrar a melhoria da qualidade de vida da comunidade e, principalmente, para aumentar a visibilidade e o envolvimento da população com suas produções culturais, atentando à valorização do patrimônio histórico e cultural da cidade.
Os recursos vieram do Ministério da Cultura, que já investiu na compra do teatro no valor de R$ 800 mil e no projeto de revitalização com R$ 86 mil.
A segunda etapa será destinada para a recuperação do edifício e adequação do palco.
Bancos serão doados
Grupos organizados, igrejas e escolas interessadas nos bancos de madeira do Cine Teatro Mussi podem entrar em contato com o Iphan. O órgão pretende doar os móveis. Novos bancos serão implantados conforme os padrões modernos. Ao todo são 900 bancos, em bom estado. O telefone do Iphan é 3644-1144.
Percorrendo o teatro. Cuidados com o dinheiro da bilheteria
Uma volta ao passado é percorrer o Cine Teatro, a imaginação recebe doses de informações. No hall, um espelho e escadaria, tons vermelhos e amarelos tornam o espaço mais luxuoso. No chão, ladrilhos esverdeados. Nos banheiros, utensílios da década de 50.
No andar superior, mais espaço para o público. A casa de máquinas, com os retroprojetores estão intactos, porém precisando de manutenção. A estante com os discos da trilha sonora dos filmes faz parte do acervo.
Um cofre é guardado numa saleta quase imperceptível. Era ali, que o dinheiro da venda dos ingressos ficava guardado. Uma escada liga a bilheteria até o cofre numa passagem secreta. Uma forma de manter o dinheiro guardado e seguro. Estas e outras histórias do Cine Teatro Mussi serão contadas através de um pequeno museu no segundo andar.
A inspiração para a arquitetura do Cine Tetro foi a escola Art Decó. Suas características são a ruptura com o passado e a inspiração no futuro, influenciado pelo cubismo e por outras correntes artísticas do começo do século XX. Surgiu como estilo produzido, principalmente, por designers para adequar seus produtos à indústria. Ele é o prenúncio do modernismo, tanto inspirou o arquiteto Wolfgang Ludwing Rau em confeccionar o projeto.
O Cine-teatro Mussi carrega em seu nome e em seu espaço físico, inúmeras lembranças. Várias famílias lagunenses formaram-se sob a guarda desta edificação. Incontáveis namoros iniciaram-se na penumbra de suas sessões. Na memória da cidade estão, entre outras coisas, a alegria das histórias de paqueras, o pegar na mão, o barulho de abrir as balas, o gosto de algumas guloseimas típicas já extintas e o cheiro da pipoca que anunciava o fim da sessão.
As sessões de cinema foram extintas na década de 80, cultos, formaturas e apresentações culturais tomaram o espaço. Em 2005, o espaço histórico foi interditado devido aos problemas elétricos.
No ano de 2009, o Ministério da Cultura comprou da família Mussi. Desde então, o Iphan vem avançando na preservação do prédio histórico.
Fonte: PML





