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Vinte e cinco anos de tombamento histórico
Postada em 30/04/2010
Casa típica do primeiro ciclo arquitetônico, o chamado luso-brasileiro
O pequeno Lucas Cardoso, 10 anos, brincava na calçada da rua Voluntário Fermiano, no centro histórico na tarde ensolarada desta quinta-feira, dia 29. Gosta das casas coloridas e acha engraçado as janelas, que segundo ele, “abrem pra dentro da casa”. Ele desconhece a técnica para não machucar quem passa pela rua.
A gaúcha Ana Léia Burner, estudante de arquitetura, vê os casários como fonte de inspiração para o trabalho de conclusão do curso.
Mal sabem eles, que 25 anos atrás a beleza do espaço estava ameaçada.
A especulação imobiliária e o plano diretor que permitia a construção de edifícios com quatro andares no centro histórico estavam prejudicando a continuidade da existência dos prédios construídos a partir do século XVII (17).
Grupo de técnicos, historiadores e governo organizaram o tombamento histórico do centro de Laguna na década de 80, no dia 25 de abril do ano de 1985, o antigo Sphan, hoje Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), através do seu secretário Angelo Oswaldo de Araújo, assinava o tombamento nacional de Laguna, preservando 600 prédios entre o Morro da Glória, Morro da Carioca e a lagoa Santo Antônio dos Anjos.
Na biblioteca pública do município um documento elaborado pelo historiador Carlos Marega e professores da época, traça o perfil arquitetônico dos prédios de Laguna que retratam momentos de glória e desenvolvimento do município, fatos marcantes para o tombamento.
A praça matriz, por exemplo, marca a fase mais rica de Laguna, devido ao comério portuário, onde ocorria o embarque e desembarque de mercadorias bem no centro da cidade. As casas, antes construídas uma ao lado da outra, nesta fase do século 19 até o início do século 20, têm jardins e entradas laterais, dos navios chegavam objetos de decoração, a denominada arquitetura eclética.
Já a primeira fase de Laguna do crescimento econômico, século 17, pode ser vista na rua Voluntário Fermiano, onde o pequeno Lucas Cardoso costuma brincar, chamada ciclo do gado, o município era rota do transporte de animais do Rio Grande do Sul até São Paulo. A arquitetura luso-brasileira, com casas brancas, a base de cal, construída a partir do trabalho escravo. São exemplos, o museu Anita Garibaldi e as casas na rua Voluntário e ao redor da Praça República Juliana.
O prédio Cine Mussi marca o terceiro ciclo da economia do município, marcado a partir da construção do porto de Imbituba, onde o porto de Laguna perde exclusividade. As linhas dos prédios são geométricas e as esquinas são arredondadas. Os porões já não existem mais. Na década de 50, foi construído o atual Mercado Público, encerrando um ciclo.
Com o tombamento, estas e outras histórias podem ser vistas, lidas, ouvidas e levadas para várias partes do mundo através de fotos.
Para auxiliar os turistas, o Iphan realizou curso de condutor cultural com profissionais que trabalham com os visitantes. Projeto de Museu Percurso pretende orientar os turistas pelo centro, através do histórico dos ciclos arquitetônicos com instalações de placas.
A mobilidade e acessibilidade no centro histórico também não estão sendo esquecidos. Neste dia 30 atividades acontecerão durante todo o dia, como o Música na Rua, apresentação do conto A Origem da Noite por contador de história local e dança folclórica para marcar os 25 anos do tombamento e a preocupação do acesso de todos aos espaços históricos de Laguna.
Fonte: Prefeitura Municipal de Laguna
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