À espera de desfile oficial, sambódromo vira depósito de veículos sucateados do governo

0
69
Foto: Elvis Palma

“Entristece ver um prédio como esse, que poderia ser usado, quem sabe, nos desfiles do 7 de setembro”, diz Pedro Silva, morador do Campo de Fora. Ele se refere ao sambódromo Hindemburgo Moreira, inaugurado em 2007 pelo governo do estado, para servir de local para a realização dos desfiles das escolas de samba de Laguna.

Menos de sete anos após a inauguração, o local deixou de ouvir o batuque das baterias e o sambar das passistas. O espaço já foi utilizado das mais variadas formas, servindo de sede para a extinta Agência do Desenvolvimento Regional de Laguna (ADR), hoje reduzida à uma unidade de atendimento, à Acustra e para o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja). A Udesc Laguna mantém algumas salas em funcionamento na estrutura.

Nesse leque de utilidades, a mais recente é ser depósito de veículos inutilizados do governo estadual. Alguns dos quais, integravam a frota da ADR, quando o órgão ainda era considerado secretaria. O cenário visto nas dependências do sambódromo é um exemplo do descaso com o erário público.

Nossa equipe procurou a administração municipal e representantes do governo catarinense para entender a situação que acontece há alguns metros do Centro Histórico, distante dos olhares mais atentos. “Com a desativação da ADR-Laguna e depois a de Tubarão, não sei quem responde pelos prédios do Estado. Já registrei na Secretaria de Administração de SC e ao deputado estadual Felipe Estevão a situação de abandono e sem gestor do sambódromo, da demolição do prédio do CSU (que é do estado), destinação e vigilância do terreno da ex-Codisc, etc”, afirma Mauro Candemil, prefeito de Laguna.

Sobre a situação, Estevão (PSL), diz que deverá discutir em breve o assunto com o governador Carlos Moisés e com o chefe do executivo lagunense. “Estou marcando uma reunião com o governador, onde eu e o prefeito Mauro vamos falar da situação do sambódromo. Não é minha prioridade número um, mas está no nosso radar e o que estiver ao alcance para lutar por essa estrutura, lutaremos”, destaca.

Remanescente da última reforma administrativa realizada na gestão tampão do ex-governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), a Unidade de Atendimento de Laguna, criada para gerir a situação das divisões da extinta ADR, que permaneceram em funcionamento na cidade, é o único órgão estadual que continua no sambódromo.

Olga Júlia dos Santos, responsável pela unidade, afirma que, de quatro carros oficiais encontrados no estacionamento do local, apenas dois estão parados e que os outros seguem sendo utilizados pela coordenadoria. “A responsabilidade dos carros que ali se encontram é da ADR de Tubarão. A mesma não possui pátio. Em contato com a SED [Secretaria de Estado da Educação], pedi para que venham retirá-los e posteriormente após reparos será feita doação para outra Gered [Gerência Regional de Educação] que não possui veículo”, explica.

A remoção dos carros não tem prazo para acontecer, pois depende, segundo Olga, de processos junto à pasta da fazenda e administração do governo catarinense. Ainda de acordo com a coordenadora foi iniciada a tomada de orçamentos para a realização de uma limpeza geral interna e externa no sambódromo, com retirada de possíveis locais onde possa haver acúmulo de água, remoção de estruturas metálicas danificadas, entre outros itens. Os trabalhos devem ser realizados em breve.

Foto: Elvis Palma
Veículos municipais seguem à espera de leilão

A situação dos veículos inservíveis não atingem só o Estado: o município possui uma frota com dezenas de automóveis leves e pesados retirados de circulação que se tornaram inúteis ao longo do tempo.

“Infelizmente quando assumimos a gestão, boa parte dos carros estavam sucateados. Estamos juntando os documentos para fazer a alienação. Conseguimos a aprovação na Câmara e eles serão leiloados”, explicou Candemil, em entrevista o jornal Notisul, de Tubarão, em março do ano passado. A frota sucateada estava depositada até alguns meses atrás nos fundos da biblioteca municipal e está sendo removida aos poucos para o sambódromo.

O governo municipal tentou recuperar os automóveis, mas desistiu pelos altos custos, relata Valéria Oliveira, secretária de Saúde em uma rede social. “Quando assumimos, o primeiro ato foi tentar recuperá-los, mas os preços são de um carro novo. Quem vê por fora pensa que faltam poucos reparos, mas tem carro desses que só tem a lataria. Foram tirando peças e colocando em outros”, afirma. Alguns dos veículos eram pertencentes à frota da pasta da Saúde – ambulâncias retiradas de circulação e mais tarde adaptadas para servir como veículo de carga integram o lote de bens inutilizados.

“Os carros foram colocados no pátio da antiga ADR, pois temos de juntar tudo de inservível no menor espaço possível por conta do leiloeiro. O leilão não se resume apenas aos veículos e máquinas, mas tudo o que não é usado pelo município, como móveis e lixo eletrônico, por exemplo”, explica Luciana Fernandes Pereira, secretária municipal de Administração e Fazenda.

Segundo a prefeitura, a venda pública dos bens segue sem data para acontecer, o que deve ser definido após o credenciamento do leiloeiro – 25 concorrentes se inscreveram no chamamento público terminado no último dia 06.

O depósito no sambódromo foi autorizado pelo governo estadual, afirma Luciana. O processo de leilão foi iniciado por um projeto de lei na gestão de Everaldo dos Santos (2012-2016), mas a matéria não chegou a ser votada no Legislativo lagunense. A mesma iniciativa foi apresentada pelo Executivo em 2017 e aprovada no ano seguinte.

Desde o início da nova gestão, há mais de dois anos, a administração conseguiu por meio de doação quatro carros e, com recursos próprios, conseguiu adquirir seis veículos para integrar a frota municipal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Não esqueça seu comentário!
Seu nome aqui, por favor